🩺 Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico ou outro profissional de saúde. Não comece, pare ou mude remédios por conta própria.
O ronco costuma virar piada em família, mas nem sempre é inofensivo. Às vezes ele é apenas um barulho incômodo; outras vezes é o sinal mais visível da apneia obstrutiva do sono, um problema de saúde que afeta o corpo inteiro e que, muitas vezes, passa anos sem diagnóstico.
O que é o ronco
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Em algumas pessoas, a passagem do ar fica mais estreita, e os tecidos da região (como o palato mole, a úvula e a base da língua) vibram com a passagem do ar. Essa vibração é o ronco.
Ele pode piorar com:
- nariz entupido (resfriado, rinite, desvio de septo);
- excesso de peso;
- bebida alcoólica e remédios sedativos à noite;
- dormir de barriga para cima;
- cansaço acumulado;
- tabagismo.
O que é a apneia obstrutiva do sono
Na apneia, a via aérea não apenas se estreita: ela se fecha total ou parcialmente, de forma repetida, durante o sono. A respiração para (apneia) ou diminui muito (hipopneia) por pelo menos dez segundos, o oxigênio no sangue pode cair e o cérebro provoca microdespertares para a pessoa voltar a respirar. Isso pode acontecer dezenas de vezes por hora, quase sempre sem que a pessoa perceba.
O resultado é um sono fragmentado, que não descansa, mesmo depois de muitas horas na cama.
Ronco x apneia
| Ronco simples | Apneia obstrutiva do sono | |
|---|---|---|
| O que acontece | Vibração dos tecidos da garganta | Fechamento repetido da via aérea |
| Respiração | Continua, apesar do barulho | Para ou diminui várias vezes |
| Sono | Pode ser reparador | Fragmentado, pouco reparador |
| Sintomas durante o dia | Geralmente nenhum | Sonolência, cansaço, dor de cabeça |
| Riscos à saúde | Baixos (mas incomoda quem dorme junto) | Cardiovasculares, metabólicos e de acidentes |
Sinais de alerta
Converse com um médico se você ou alguém da sua casa tem:
- ronco alto, frequente, que se ouve de outro cômodo;
- pausas na respiração percebidas por outra pessoa, seguidas de engasgos ou “bufadas”;
- sensação de sufocamento ou de acordar sem ar;
- sono excessivo durante o dia, cochilando ao ler, assistir TV ou dirigir;
- dor de cabeça ao acordar e boca seca;
- necessidade de levantar várias vezes à noite para urinar;
- irritação, dificuldade de memória e de concentração;
- pressão alta difícil de controlar.
Alguns fatores aumentam o risco: excesso de peso, pescoço largo, sexo masculino, idade mais avançada, menopausa, alterações no formato do rosto ou da mandíbula, amígdalas grandes, uso de álcool e sedativos e tabagismo. Mas a apneia também aparece em pessoas magras e jovens.
Em crianças, os sinais podem ser diferentes: ronco, respiração pela boca, sono agitado, suor noturno, agitação e dificuldade de atenção durante o dia. Falamos disso em sono das crianças.
Por que a apneia é perigosa
Sem tratamento, a apneia está associada a pressão alta, arritmias, infarto, AVC, piora do controle do diabetes, alterações de humor e de memória. A sonolência que ela provoca também aumenta muito o risco de acidentes de trânsito e de trabalho. A boa notícia é que o tratamento adequado melhora o sono, a disposição e a qualidade de vida.
Como é feito o diagnóstico
O exame de referência é a polissonografia. Nele, a pessoa dorme com sensores que registram, ao mesmo tempo, a atividade do cérebro, a respiração, o esforço para respirar, o nível de oxigênio no sangue, os batimentos do coração, os movimentos das pernas, a posição do corpo e o ronco. O exame é indolor e costuma ser feito durante uma noite em uma clínica ou laboratório do sono. Em alguns casos, o médico pode indicar uma versão simplificada, feita em casa.
O resultado traz, entre outras informações, o índice de apneia e hipopneia (quantos eventos acontecem por hora de sono), que ajuda a classificar a apneia como leve, moderada ou grave e a escolher o tratamento.
Antes da consulta, ajuda anotar seus horários de sono e como se sente durante o dia no diário do sono. Alguns apps gravam o ronco durante a noite e podem servir como pista para levar ao médico, mas nenhum app diagnostica apneia.
Tratamentos (sempre com acompanhamento médico)
O tratamento depende da gravidade, da causa e das características de cada pessoa:
- CPAP: um aparelho que, por meio de uma máscara, envia ar com pressão contínua e mantém a via aérea aberta durante o sono. É o tratamento mais usado nos casos moderados e graves. A adaptação pode levar algum tempo, e o ajuste da máscara faz muita diferença.
- Mudanças no estilo de vida: perda de peso quando indicada, evitar álcool e sedativos à noite, parar de fumar e tratar a congestão nasal.
- Terapia posicional: para quem tem apneia principalmente de barriga para cima, recursos que ajudam a dormir de lado.
- Aparelho intraoral: feito por dentista com experiência em sono, avança levemente a mandíbula durante a noite. É uma opção em casos selecionados, com diagnóstico médico.
- Cirurgias: como a retirada de amígdalas e adenoides (muito comum em crianças) ou correções no nariz e na garganta, conforme a avaliação.
- Terapia miofuncional: exercícios orientados por fonoaudiólogo para fortalecer a musculatura da boca e da garganta, como complemento em alguns casos.
Dilatadores nasais e travesseiros anti-ronco, que você encontra em equipamentos, podem aliviar o ronco simples, mas não tratam a apneia. Se o ronco é alto e frequente, use esses itens somente depois de uma avaliação médica, para não mascarar um problema mais sério.
Quando procurar um médico
Procure um médico, de preferência com experiência em medicina do sono ou um otorrinolaringologista, se houver ronco alto e frequente, pausas na respiração, engasgos noturnos ou sonolência durante o dia. Se você sente sono ao dirigir, não espere: evite dirigir sonolento e marque a consulta o quanto antes.
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